Tipografia

INDIE 2017

Boa sorte ao Indie e aos amantes do cinema revolucionário deste mundo

Assim começa o texto de Francesca Azzi curadora do Festival há 17 anos.

“Há 17 anos nos perguntamos o que queremos ser como um festival de cinema independente. Há 17 anos a resposta parece estar cada vez mais clara. Com as últimas reviravoltas políticas do país, perdemos a inocência. O INDIE se tornou adulto apesar de ainda não ter alcançado sua maioridade. Se antes nos perguntávamos que tipo de festival gostaríamos de ser, sem seguir formatos prontos, sem sofrer com as forças políticas e econômicas que nos colocavam desafios para nossa existência, hoje queremos seguir sendo o que construímos, ao longo do tempo, como ideia, mas sem abrir mão de nossa liberdade curatorial ou do nosso quase “estatuto” de que um festival precisa necessariamente de conceitos e de filmes que questionem e revigorem o próprio cinema. Um festival como o INDIE pensa em cada escolha, e são elas que tecem os meandros de nossa especificidade enquanto um festival.”

Queremos ser o que somos, e do tamanho que somos, não há nenhuma outra intenção aqui que não a de trazer o pensamento contemporâneo sobre o cinema através dos filmes, dos conteúdos dos filmes, dos diretores dos filmes e da história do cinema. Esta é nossa maneira de fazer política. Um festival é em si um ato político – o cinema é algo que pode revolucionar a maneira de pensar do indivíduo, trazê-lo para um mundo mais íntegro que respeita as diferenças individuais e culturais, que complexifica a vida ordinária para trazer à luz a liberdade estética e experimental.  O cinema pode servir a uma experiência libertadora, e abrir para infinitas possibilidades do pensamento.”

O cineasta homenageado este ano foi o francês Philipe Garrel, que nos inspirou com seu cinema intimista. “Marcado pelo preto & branco, pelo silêncio mortal das entrelinhas, por uma música poética ou dramática, e pelo enigma que ilumina a metáfora feminina. E assim será desde sempre.”… Além disso, o espírito de seus filmes dialogam com a proposta de sempre do Indie, de resistir e fazer da forma que seja possível. “Há um consenso entre críticos e teóricos franceses … de que a obra de Garrel poderia ser dividida em dois grandes momentos. Na primeira fase marcadamente mais experimental teríamos os primeiros filmes, que ele mesmo, Garrel, denominaria como realizados nos “anos obscuros” de 1969 a 1979, sem recursos, de maneira mais underground, apoiado pelo grupo de amigos de uma geração que viveu intensamente o maio de 1968 na França.”

O catálogo permitiu conhecer ainda mais o cineastas a partir de vários textos e entrevistas.

Para a identidade de 17 anos anos, bem vividos de forma resiliente e potente, buscamos os detalhes que está no nosso entorno. O que fica ao nosso redor e que nem sempre percebemos. Rastros, fragmentos e sutilezas. Algumas das imagens utilizadas foram produzidas há mais de 7 anos e que agora se revelam para dar vida e trazer o sentimento desta edição.

A marca deste ano parte de letras escritas com pedaços de gravetos e folhas secas. A composição final tratada digitalmente é uma colagem gráfica dessas proposições. A tipografia dos títulos foi uma “typewriter” para remeter ao caráter analógico do texto original. Criamos também um manifesto tipográfico que norteou o processo de criação e a produção fotográfica realizada por Cláudio Santos.

Outra inspiração veio de alguns filmes de Philippe Garrel, onde os papéis de parede com motivos florais aparecem. Eles nos remeteram a uma memória afetiva de elementos que fazem, ou faziam parte da nossas vidas e do nosso imaginário. Daí criamos uma padronagem para a “guarda” do catálogo, a partir de flores secas guardadas por Alessandra Maria Soares por algum tempo. Essa é única parte colorida dos elementos gráficos que produzimos.

Identidade visual, peças gráficas, sinalização, vinheta e website: voltz design
Direção de criação e produção: alessandra maria soares, cláudio santos
Designers: andré travassos, cláudio santos, jenifer abad
Produção gráfica: renato moura
Vinheta: cláudio santos rodrigues (direção), leonardo rocha dutra (animação), bernardo bauer e renato moura (trilha sonora) – voz de emmanuelle riva em liberté, la nuit de philippe garrel.

Categoria: Animação, Editorial, Evento, Experimental, Filme, Identidade Visual, Sinalização, Tipografia em 17/09/2017    


 
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Da luz ao metal – A produção de um livro pela impressão fototipográfica

Resgatando uma história e memória da tipografia na região de Tiradentes e conectando com a valorização que o Foto em Pauta 2017 tem dado aos fotolivros, o workshop propõe a produção de um livro colaborativo à partir da documentação fotográfica dos ornamentos arquitetônicos de Tiradentes e transformação destas imagens em fotoclichês para a impressão tipográfica experimental.


O livro experimental fototipográfico permite uma investigação tanto da produção da imagem e composição da página quanto da sequencialidade do livro pelas técnicas e processos da tipografia e da materialidade do livro.

Programa:

DIA 1 – Um olho na tipografia e outro na cidade

Contextualização histórica de Tiradentes e região em relação ao universo da tipografia. Detalhamento da metodologia do workshop com apresentação de livros experimentais tipográficos e fototipográficos. Introdução aos processos de impressão tipográfica e produção dos fotolichês.

Tarde: Documentação fotográfica dos ornamentos arquitetônicos de Tiradentes para a investigação e layout da página. Dos ornamentos selecionados serão produzidos os fotoclichês para a impressão tipográfica experimental. Cada aluno fará um diário das memórias e percepções desta investigação para a composição da página.

Dia 2 – Mão na tinta
Manhã: Visita à Tipografia Assunção em São João Del-Rey para conversa com o tipógrafo Sr. Afonso e apresentação de todo o processo técnico. Produção do fotoclichê.

Tarde: Composição das páginas do livro com os ornamentos selecionados e textos do diário. Existem ainda fios e ornamentos tipográficos de metal para serem utilizados pelos alunos. Impressão experimental fototipográfica da composição.

Dia 3 – Mão e olho no livro
Manhã: Impressão digital dos textos nas páginas fototipográficas já impressas
Tarde: Acabamento dos livros e exposição de todo o processo do workshop para o debate final

INSTRUTORES

Cláudio Santos

Designer na Voltz Design desde 1996. Professor na Escola de Design da UEMG. Mestre em Sustentabilidade e Inovação, com pesquisa sobre a Rede Tipográfica de Minas Gerais. Pesquisador no TipoLAB – Laboratório de Tipografia da ED-UEMG. Desenvolve projetos transmídia com diversas aplicações em espaços de memória e museus. Em 2006 aprendeu o ofício da tipografia com o mestre Sebastião Bento da Paixão, da cidade de Jequitinhonha. Adquiriu todo espólio de sua Tipografia Liberdade e desde então realiza projetos experimentais que mesclam tipografia e audiovisual.

Flávio Vignoli

Designer, editor e tipógrafo da gráfica particular Tipografia do Zé que desde 2008 produz livros de tiragem limitada, livros experimentais, cadernos e outros impressos tipográficos. Possui a empresa de design gráfico, interiores e exposição Estúdio 43. Professor do Workshop de Tipografia da Tipografia Matias. Participante do Museu Vivo Memória Gráfica (Belo Horizonte) e Museu Tipografia Pão de Santo Antônio (Diamantina). Presidente do Centro de Artesanato Mineiro.

Ainda contamos com a participação do Tiopógrafo Sergin Castanheira. Na edição de 2016, Sergin comprou uma prensa manual que estava num ferro-velho. Ao longo do ano restaurou, fundiu peças, refez a rolaria e montou a “Tipografia Ambulante”. Ao longo do festival a programação era impressa e distribuída na cidade.

Convidado especial e fotos: Fábio Martins

Vídeo: Eduardo Guarda


Categoria: Curso, Experimental, Oficina, Tipografia em 21/04/2017    


 
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Festival de Fotografia de Tiradentes – 2017

Desde 2014 cuidamos da identidade visual e sinalização do Festival de Fotografia de Tiradentes. Neste ano partimos das ilustrações do artista local Thi Rohrmann e do uso da tipografia para reforçar a localização das diversas atividades.

O evento aconteceu entre os dias 22 e 26 de março, com diversas exposições, workshops, palestras, debates, leituras de portfólio, projeções de fotografias e atividades educativas voltadas para a comunidade local.

O Festival proporciona ao público ricas experiências e trocas com profissionais de renome nacional e internacional, cuja produção artística é representativa no cenário da fotografia brasileira.


Categoria: Editorial, Evento, Exposição, Identidade Visual, Mostra, Publicações, Sinalização, Tipografia em 21/04/2017    


 
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Alfabeto de Tipos de Plantas – Revista Nuvem

Aconteceu na benfeitoria, no dia 15 de fevereiro de 2017, o lançamento da décima primeira edição da Revista Nuvem. Uma publicação experimental – criada na habilitação de Artes Gráficas da Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais. Na Nuvem cada artista é responsável por produzir a tiragem de sua página – o que inclui criar, imprimir, finalizar – e também por financiá-la, com tiragem equivalente à revista.

A presente edição é especial, e conta com um time potente de artistas gráficos e estudantes de arte, além de dois escritores, reunidos sob a curadoria de Fernanda Goulart. Esta Nuvem 11 configura-se como uma ENCICLOPÉDIA AFETIVA de produção e poéticas gráficas, capaz de expressar nosso afeto pela área de forma abrangente, ao contemplar quase 30 técnicas, antigas e atuais.


O resultado são cerca de 30 técnicas diferentes, expressas em 34 páginas criadas por 37 artistas.

ALFABETO DE TIPOS DE PLANTAS é o encarte produzido por:
Cláudio Santos Rodrigues (a partir de catálogo de plantas de Walter Rodrigues e Oliveira)
Composição e Impressão | Claudio Santos Rodrigues, Sako Pedra Dura e Pedro Thairan
Texto | Sérgio Antônio Silva

Tipografia e Clicheria do acervo do TipoLAB – ED UEMG, com prensa automática “Maschinenfabirlk A. Hogenforst – Rapid” e prelo manual “Funtimod”.

Fotos e vídeo do processo de produção do Alfabeto, no TipoLAB – Laboratório de Tipografia da Escola de Design da UEMG.


Alfabeto de Tipos de Plantas


Categoria: Editorial, Tipografia em 21/04/2017    


 
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II Fórum Patrimônio Gráfico em Movimento – Diamantina 2016

O II Fórum Patrimônio Gráfico em Movimento, teve lançamento de diversos livros, oficina de gravura, palestras de altíssimo nível, com presenças nacionais e internacionais.

Vejam a programação. https://www.ufmg.br/online/arquivos/046007.shtml


Apresentamos em formato ao vivo, versão remix. TIPOEMA – MOVIMENTO 2, com  uso de sensor acoplado a minha prensa centenária, que permite imprimir vídeos!! Com Fabiano Fonseca e Sérgio Mendes, a partir da instalação audiovisusal Tipos Móveis e o vídeo tipoema que produzi com Lucas Miranda Vieira, Leonardo Dutra, Eleonora Santa Rosa e Guilherme Mansur.


O mais rico desse encontro foi comprovar que estamos no caminho certo, ao promover o encontro de diferentes gerações de tipógrafos com jovens artistas e gravadores. Das Letras com o design. Da restauração com a tecnologia digital. Um caminho interdisciplinar que visa o agora e o futuro,  ao ressignificar e valorizar o passado.

No final o melhor de tudo foram as conversas paralelas e ouvir as estórias de figuras emblemáticas. Dulce e o ineditismo e coragem da Memória Gráfica oficina de gravura. O casal do Museu Xilogravura, com uma vida dedicada a este universo. José Lourenço da Lira Nordestina com sua sabedoria e sensibilidade. Os “punks” da UFG de Goiânia nos mostraram que temos que continuar a fazer. Ainda contamos com a presença delicada e a força do projeto Colombiano de resgate da tipografia em conexão com o design. Tomé de SP nos apresentou uma fundamentação e uma sofisticação nas soluções gráficas.

Sérgio Antônio Silva apresentou a Tipografia Kosmos e o Tipolab ED-UEMG e lançou o Tratado da Gravura. Importante livro com belo projeto gráfico do LDG-UEMG. Apresentei e reforcei mais uma vez o compromisso assumido com o mestre Sebastião Bento da Paixão do Jequitinhonha. Por fim, à turma de BH. O livro/filme Prelo coroou o encerramento com os jovens designers e a bela homenagem ao sr. Ademir Matias, nosso grande mestre. Ainda teve produção coletiva de alta qualidade para quem esteve lá colocar a mão na tinta e levar para casa esse registro.

Parabéns aos organizadores, colaboradores e todos que estiveram por lá. Um encontro que reforça o laço com velhos e novos amigos. Foi e será para sempre inesquecível. Ficou gravado na alma !!!


Categoria: #voltz20anos, Evento, Experimental, Performance, Tipografia em 12/12/2016    


 
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Rede Tipográfica de Minas Gerais

A pesquisa de Cláudio Santos Rodrigues busca busca investigar a possibilidade de (re)conectar uma rede que existiu em torno da tipografia e dos seus impressos gerados em Minas Gerais. Discutimos a forma como o design pode contribuir para apresentar e expandir uma rede de pessoas e instituições com o uso de tecnologias digitais colaborativas e sociais como um novo suporte para disseminação e sistematização de informações no processo de resgate e construção de memórias coletivas. Para tanto, a pesquisa teve como objeto de estudo a história da tipografia nas cidades de Mariana e Ouro Preto/MG, entendida como rede que marcou a transformação da sociedade mineira nos séculos XVIII e XIX, assim como a análise de experiências atuais de lugares e instituições que mantêm a tipografia viva no Estado. Ao longo do trabalho serão apresentadas outras redes existentes, partindo dos tipógrafos em atividade de Minas Gerais em conexão com pessoas que ainda se dedicam a esse ofício em suas mais diversas formas de atuação (como ofício ligado ao design, de forma artística, como pesquisa etc.). Com a proposição de uma metodologia aliada ao uso das tecnologias da informação, pretende-se ampliar as potências dessas conexões, extrapolando as dimensões físicas e territoriais de Minas Gerais, a partir do compartilhamento de memórias e saberes.

Design aplicado às tecnologias de Rede Colaborativa: Projeto para Diufsão da Memória Coletiva de Minas Gerais.

Agradecimentos:

Aos meus pais, Marilda e Walter, e aos meus irmãos, pelo exemplo de vida, de luta e de honestidade. Especialmente à Alessandra Maria Soares, esposa, mãe dos meus filhos e sócia no exercício incansável do design, por me proporcionar disponibilidade e coragem.

Agradeço a confiança, parceria e disposição do meu orientador, Prof. Dr. Sérgio Antônio Silva, que me apresentou o mundo das letras, e à Fernanda Mourão, pela criteriosa revisão.

Ao Sr. Sebastião Bento da Paixão. Mestre tipógrafo, letrista e projecionista de cinema da Cidade de Jequitinhonha, ensinou-me a imprimir em sua prensa centenária e deixou-me o legado de continuar a dar vida a ela. A Cláudio Bento, poeta e sobrinho que intermediou todo o processo e forneceu ricas informações. Aos tipógrafos contemporâneos, pesquisadores, professores (em especial ao Flávio Vignoli, Glória Campos, Marcelo Drummond, Mário Azevedo) que contribuíram com entrevistas, empréstimos de livros e informações valiosas.

À Eleonora Santa Rosa, pela parceria profissional, amizade e reconhecimento do meu trabalho, e por proporcionar acesso a pessoas, espaços e equipamentos culturais do mais alto nível no Brasil e no mundo.

Ao tipoeta Guilherme Mansur, pela vida dedicada ao ato de imprimir para além das funções utilitárias e por abrir as portas de sua gráfica e desse universo em Ouro Preto.

Ao amigo, professor, pesquisador e parceiro em diversos projetos e que me levou para a academia, Leonardo Rocha Dutra, com quem tive o prazer de realizar a animação Tipos Móveis.

Ao grande articulador de redes Cesar Piva e à equipe da Fábrica do Futuro, por dar espaço à experimentação.

Ao Marcelo Braga, amigo e realizador audiovisual, pela oportunidade de registrar o lado mágico do Jequitinhonha e pelas discussões, críticas e realização de trabalhos em conjunto.

À Izabela Vecci, pela apresentação de autores e pelas conversas sobre memória.

À Maria Eugênia e à equipe do Inhotim, por permitir discussões profundas e expansão das possibilidade das redes conectadas ao universo educativo e patrimonial.

A Eduardo de Jesus e Álvaro Andrade Garcia, pelas experiências pioneiras com as multi-mídias.

Ao Rodrigo Minelli (in memorian) e ao grupo de live images F.A.Q., pelas pesquisas, vivências, viagens e deslocamentos em prol da rede do audiovisual de forma coletiva e colaborativa.

À Ângela Maria Soares e ao Juvêncio Braga Lima, pelo acolhimento, incentivo, conversas, sugestões e contribuições fundamentais.

À equipe e aos parceiros da Voltz Design, pelas trocas, aprendizado e convivência diária.


Categoria: #voltz20anos, Aplicativo, Publicações, Tipografia em 26/03/2016    


 
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Foto em Pauta 2016 – Performance audiovisual

Performance Audiovisuai – Rede Tipográfica de Minas Gerais from Voltz Design on Vimeo.

Por causa das fortes chuvas, as 2 performances programadas (para sexta e sábado) se modificaram em um ensaio aberto no sábado a tarde e uma apresentação oficial a noite. André Travassos, no violão (Câmera) e Renato Moura, na percussão (Pequeno Céu) criaram o clima sonoro para o sistema que alternava os vídeos e fotos a partir do uso da alavanca da prensa centenária.



A intenção era comemorar os 20 anos da Voltz participando nos eventos de parceiros. A partir de todos esse envolvimento com essa edição do Foto em Pauta em torno dos clichês fotográficos e do uso da tipografia, optou-se por se fazer uma apresentação pública de fragmentos da dissertação de Cláudio Santos Rodrigues. A pesquisa realizada no âmbito da Programa de Pós-Graduação da Escola de Design da UEMG, trata do Design aplicado às tecnologias de rede colaborativa: projeto para difusão da memória coletiva da tipografia em Minas Gerais.


Pesquisa, edição e performance | Cláudio Santos Rodrigues

Imagens | Alessandra Maria Soares e Fábio Martins (ao vivo)
Cláudio Santos Rodrigues, Leonardo Rocha Dutra e Rede Minas (acervo)

Trilha Sonora | André Travassos e Renato Moura (ao vivo)
O Grivo e Lucas Miranda (incidental)

Desenvolvimento de Sistema | Sérgio Mendes

Agradecimentos | Alessandra Maria Soares, Eugênio Sávio, Fábio Martins
Isadora e Miguel Soares Rodrigues, Marcello, W. Tostes e Sergin Castanheira

Jardim do Sobrado 4 Cantos – Tiradentes – 2016


Categoria: #voltz20anos, Aplicativo, Evento, Experimental, Festival, Mostra, Performance, Tipografia, Video em 16/03/2016    


 
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Foto em Pauta 2016 – Oficina tipográfica aberta

Neste ano uma das grandes novidades do 6º Festival de Fotografia de Tiradentes – Foto em Pauta, foi a mostra de Foto Livros. A partir de um edital, foram selecionados livros de fotografia do Brasil inteiro. Partindo disso, entre os dias 05 e 09 de março de 2016, optamos por realizar a produção de um livro tipográfico com base nos clichês fotográficos da Gráfica Assunção de São João del-Rei. Levamos a prensa centenária com o acervo de tipos, herdada como legado, da Tipografia Liberdade do Sr. Sebastião Bento da Paixão de Jequitinhonha, lá para Tiradentes.

Decidimos que o livro se chamaria Saturno e que celebrasse os encontros reais que tivemos nestes dias. Foram longas conversas no porão. Algumas frases surgiram e optamos por colocá-las em dialogo com os símbolos dos elementos químicos que fazem parte do universo da Tipografia. Os clichês foram impressos em laranja e em páginas coloridas revelando seu desgaste e sua constante desmaterialzação. A narrativa sugeria o processo de se ir do chumbo ao Eter (ROR).

Retomamos o contato com a Gráfica Assunção para que nos emprestasse os clichês fotográficos. Escolhemos o papel Rives Tradition para a capa e alguns papéis coloridos para o miolo. Conseguimos uma tinta laranja que deu vida aos clichês de paisagens selecionados pelo próprio Sr. Afonso. O preto ficou para as frases, a página de rosto e o colofão. Em preto imprimimos também um clichê adquirido por Alessandra e Cláudio, diretamente do antiquário pessoal do Sr. John Sommers, há mais de 25 anos atrás.

“O agente que os alquimistas usavam para produzir ouro artificial era a pedra filosofal. Essa pedra, na realidade um pó ou tintura – era também chamada maza, palavra rega para levedura. A pedra filosofal, não é portanto, a substância da qual o ouro é feito, mas o aditivo essencial, o fermento ou catalisador que efetua a transmutação (ou trasnformação) de metal comum em precioso. o metal comum preferido para isso era o chumbo, associado ao planeta (e portanto ao Deus Saturno). O nome grego para Saturno é Cronos, que, por associação com a palavra chronos (tempo), sugere transitoriedade. Assim, Saturno é representado em ilustrações alquímicas, por um velho com uma ampulheta e uma foice. Relacionado a essa alquimia, o processo envolve a conversão de chumbo, metal inferior e símbolo do transitório, em ouro, metal precioso e símbolo do eterno. A alquimia é, portanto, uma tentativa do homem para escapar do tempo enquanto ainda está nele – seu esforço para se libertar da transitoriedade enquanto está nessa vida”. (Dinheiro e magia: Uma crítica da economia moderna à luz do Fausto de Goethe. Hans C. Binswanger, pg 55.)

Fomos além e chegamos ao Eter como simbologia da era digital e da nuvem que tanto nos rodeia.

Oficina Tipográfica Aberta - from Voltz Design on Vimeo.

Oficina Tipográfica Aberta – SATURNO
Tipógrafos  |  Cláudio Santos Rodrigues, Fábio Martins e Marcello W. Tostes
Imagens  |  Cláudio Santos Rodrigues e Fábio Martins
Edição  |  Cláudio Santos Rodrigues
Trilha Sonora  |  Sinos da Igreja do Pilar de São João del-Rei
Agradecimentos  |  Eugênio Sávio, Sr. Afonso, Gráfica Assunção e Sergin Castanheira
Porão do Sobrado 4 Cantos – Tiradentes  - 2016

Categoria: #voltz20anos, Editorial, Experimental, Festival, Mostra, Sinalização, Tipografia em 16/03/2016    


 
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Foto em Pauta 2016 – Impressão em tipografia da Capa do Catálogo e caderno

A relização da capa catálogo e do caderno promocional  do 6º Festival de Fotografia de Tiradentes aconteceu numa sexta-feira, 5 dias antes do festival.

6º Foto em Pauta + Voltz + Tipografia Assunção from Voltz Design on Vimeo.

O desafio era imprimir, em apenas um dia, 3.000 capas no papel ficha ouro 180 gr, a partir de uma composição de clichês fotográficos. Saímos de Tiradentes pela manhã, abençoados pela Serra de São José, rumo a São João del-Rei. Era preciso voltar ainda no final do dia para BH para entregar as capas para a Gráfica Paulinelli que estava rodando o miolo. Saturno/Cronos olharam por nós…

Nos enfurnamos no interior da Gráfica Assunção e começamos a escolher os clichês. Como forma de respeito e homenagem, os clichês dos retratos foram escolhidos a dedo por Sr. Afonso. Ele utilizava talco para identificar cada rosto e lembrava de cada um que se revelava. Após o quebra-cabeça da composição, necessária para encaixar a logo, partimos para o cuidadoso trabalho de limpar cada clichê para se obter a melhor a impressão. Gastamos toda manhã neste processo.

Após a rama montada, partimos para a impressão da primeira cor em vermelho, na heidelberg de leque utilizada nos últimos tempos apenas para numerar notas fiscais. Logo após o almoço, voltamos otimistas, mas a prensa precisava de ajustes e de algum afago para dar conta do recado. Sr. Afonso envolveu todos os funcionários no processo, que foi feito de forma harmoniosa e bem humorada. Seu filho chegou e acabou de deixar a máquina azeitada.


Daí foi só aguardar o tempo da própria impressão e ficar ao lado para acompanhar. Como tudo transcorria dentro do previsto, optamos por imprimir também a capa e montar um caderno promocional do evento. Saímos da gráfica com parte dos impressos às 18h45,  faltando 15 minutos para pegar o ônibus rumo a BH….


Ficha técnica:

Concepção: Cláudio Santos Rodrigues e Eugênio Sávio
Composição: Cláudio Santos Rodrigues e Sr. Afonso
Impressão: Quincas
Ilustração: Thi Rohrmann
Imagens: Cláudio Santos Rodrigues e Miguel Rohrmann
Edição do vídeo: Cláudio Santos Rodrigues
Trilha Sonora: Invisível
Produção: Alessandra Maria Soares e Renato Moura
Realização: Foto em Pauta e Voltz Design
Agradecimentos: A todos da Gráfica Assunção e Sergin Castanheira


Categoria: #voltz20anos, Evento, Experimental, Festival, Mostra, Tipografia em 16/03/2016    


 
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Foto em Pauta 2016 / Tipografia Assunção

Lugares e imagens que sobrevivem – Oficina aberta e performance audiovisual


Este ano para a identidade visual do 6º Foto em Pauta – Festival de Fotografia de Tiradentes, partimos da pesquisa acerca da Rede Tipográfica de Minas Gerais de Cláudio Santos Rodrigues. A ideia era pesquisar um acervo de clichês fotográficos na região do campo das vertentes, principalmente entre Tiradentes e São João Del Rei. Daí, chegamos na Gráfica Assunção. Em uma primeira investigação, feita por Eugênio Sávio e Sergin Castanheira (Foto em Pauta) vimos as ricas possibildades que se abririam. Conseguimos tirar dos arquivos, o velho prelo e dar vida novamente a alguns clichês. Daí, surgiu uma nova proposta: transformar o que seria um workshop em uma oficina aberta onde a Voltz + o Foto em Pauta realizariam um livro durante o festival, a partir do acervo do Gráfica Assunção. Além disso, optou-se em apresentar a pesquisa sobre a Tipografia em Minas Gerais no formato de uma performance audiovisual com o sistema de imprimir videos, que estamos aperfeiçoando a cada novo uso.

A segunda visita se deu em plena sexta-feira, dia 19.02.2016. Chegamos às 10h30 conforme combinado e Sr. Afonso estava lá assisitndo TV atrás do balcão. Iniciamos a conversa tendo 3 objetivos como meta. Um seria escutá-lo para dar continuidade à pesquisa da Rede Tipográfica de Minas Gerais. O outro seria conseguir ter acesso a seu acervo para poder usar como suporte para um livro-homenagem a essa técnica e a esses homens-máquinas. O terceiro seria fazer um orçamento para ver a viabildade de imprimir o catálogo do 16º Festival Foto em Pauta, parte em tipografia e parte em off-set. Acabamos fechando de imprimir a capa do catálogo utlizando os antigos clichês fotográficos na Heidelberg de leque.

Sr. Afonso tem 64 anos de profissão. Recebe as pessoas, mas a todo momento Laércio, auxiliar administrativo que está lá há 22 anos, dá continuidade aos atendimentos. Os orçamentos ainda são conversados, tem que ser analisados e aprovados por ele antes de enviar. Após uma longa conversa ele nos convida a adentrar. Começamos passando pela pré-impressão, que ainda é chamada de Arte-Final. Nos mostra um gaveteiro que virou armário de papéis. Passamos por uma Catu em funcionamento ao lado de um antigo relógio de ponto. Daí chega-se ao salão principal, com as impressoras e mesas de montagem.

Para o lado esquerdo, por uma pequena porta, entramos em salas que viraram depósitos. Junto a potes de tinta e papéis, se encontra uma mesa de sinuca e uma “feijãozinho”. Entramos por mais um corredor e chegamos em um gaveteiro desgastado pelo tempo mas repleto de clichês em ótimo estado. Ao som do sino da Igreja do Pilar, vamos abrindo gaveta por gaveta e nos deparamos com toda sujeira possível por conta dos diversos insetos e pequenos roedores que devem passear por ali há anos. Nesse garimpo, encontramos também fotos de anúncios fúnebres, além de logotipos de associações religiosas, empresas locais, times de futebol, etc.

Retornamos para o salão principal e para o lado direito, caímos numa antiga quadra de futebol de salão, com as marcas ainda no chão. O teto foi coberto e hoje abriga pilhas de papéis e 2 heildelbergs de leque. Uma delas com a roalaria entintada de vermelho e em pleno funcionamento para numerar notas fiscais. Outro capítulo a parte, são os 3 catálogos de tipos e 1 de clichê. Impressos curiosos aparecem também, como é o caso do amigo da onça que era vendido para os estabelecimentos comerciais e uma antiga nota fiscal da empresa toda impressa em tipografia datada de 1974.


Em um dos catálogos da tipografia Assunção, cada tipo era nomeado como atores, atrizes de novela e personagens da televisão, assim como por jogadores de futebol, nome de amigos, de personalidades civis e religiosas da região. Os catálogos da Tipografia Progresso apresentavam os tipos em um texto que revela de forma didática como é o processo tipográfico e dava dica aos clientes da melhor forma de se usar os recursos gráficos.

Dando continuidade nessa história o próximo post será sobre como imprimimos a capa em tipografia, usando os clichês fotográficos e numerador.

Tipografia e Papelaria Assunção
Rua Marechal Deodoro, 36 – (32) 3371 2954 / 3371 2410
[email protected]


Categoria: #voltz20anos, Evento, Experimental, Exposição, Festival, Performance, Tipografia, Video em 07/03/2016    


 
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