Povos Originários

Retrospectiva 2025 :: Prospectiva 2026 :: (re)conexões, memória e fluxo

Ao fecharmos o ciclo de 2025, a sensação é de que estamos integrados na diversidade. Foi um ano de consolidar parcerias históricas, expandir fronteiras e preparar o terreno para uma celebração especial: em 2026, a Voltz completa 30 anos de movimento conectando pessoas e projetos. Confira alguns destaques da nossa atuação ao longo do ano:

DESIGN, MEMÓRIA, EDUCAÇÃO E PATRIMÔNIO
Atuamos na intersecção entre design e memória, transformando acervos e diversos conteúdos em experiências visuais.
Minas Profunda: Começamos o ano comemorando o lançamento do projeto de Educação Patrimonial “IPHAN +80“, coordenado por Andreia Di Bernardi da Akala, que rodou diversas cidades de Minas (Ouro Preto, Ouro Branco, Miguel Burnier, Belo Vale, Congonhas, Mariana, Juiz de Fora e Cataguases). Cuidamos da presença digital e de todo material gráfico que contou com as ilustrações de Ana Goebel. Implantamos com Sérgio Raphael o portal digital da “Palco Produções e da Cerâmica Saramenha” projeto do parceiro de sempre Paulo Rogério, onde também participamos da Escola Saramenha de Artes e Ofícios, em Santo Amaro de Botafogo. Na sequência desenvolvemos o design expográfico do projeto “Balaio Mineiro“, em Bocaiúva, no Centro de Memória – Casa Figueiredo Souza. A exposição convida o público a caminhar com Betinho, Chico Mário, Henfil e suas irmãs por momentos decisivos da história do país: da vida no interior de Minas às mudanças pelo Brasil; da militância política à resistência à ditadura militar; do exílio à luta pela anistia e à campanha pelas Diretas Já. Balaio Mineiro é uma travessia do sertão mineiro ao cenário nacional sob curadoria de Regina Souza e Yuri Ricardo e expografia de Clarissa Neves e Paulo Waisberg.

• Ícones de BH: Há 22 anos desenvolvemos a parte gráfica do Indie Festival e demos continuidade neste ano junto com Daniela Azzi, Francesca Azzi e Eduardo Cerqueira. Dessas longas parcerias assinamos junto com Bia Apocalypse, Marcos Malafaia, e Ulisses Tavares a identidade visual e sinalização da Ocupação Giramundo, que comemora seus 55 anos no Palácio das Artes. Atualizamos o conteúdo gráfico e audiovisual do Ponto Cultural CDL, que foi inaugurado em 2019 sob a coordenação da Cavalinho de Pau – Carlos Almeida e Heloísa Vidigal. Desenvolvemos também o catálogo para a exposição “Clara Nunes: Eu Sou a Tal Mineira”, em cartaz no MuMo – Museu da Moda, desde 2023, sob coordenação de Carol Ladeira e com projeto expográfico de Alexandre Rousset.

Para fechar o ano de 2025 realizamos as soluções gráficas, audiovisuais e interativas para a exposição “Habitar o Invisível/CoHabitar a Cidade”, com curadoria de Marconi Drummond e Maurício Meirelles e design expográfico de Marcelo Drummond, na Casa Rosada Gasmig Minas, novo espaço cultural gerido pelo Minas Tênis Clube. Ao longo do ano, contribuímos com o registro audiovisual de diversas atividades da “Memória Gráfica Mercado Novo“, um espaço colaborativo coordenado pelo designer e tipógrafo Flávio Vignoli, com participação constante de Emília Mendes e equipe do Labed/UFMG.


DESIGN COMO FERRAMENTA SOCIAL E INCLUSIVA

Participar da democratização do acesso e promover a diversidade da cultura brasileira seguem como nosso compromisso central. Por meio do “Festival AcessaBH“, usamos o design para integrar a acessibilidade universal através de uma produção cuidadosa e ousada de Laís e Daniel Vitral. Já a exposição “Pajubá – A hora e a Vez do Close” foi a grande atração da reabertura do Museu da Diversidade em maio/junho de 2024. Localizado nos corredores do Metrô República em São Paulo, essa exposição teve a curadoria de Marcelo Campos e Amara Moira e segue em cartaz celebrando a história e a cultura LGBTQIA+.

DESIGN EXPANDINDO FRONTEIRAS E CONEXÕES INTERNACIONAIS
• Registro e Identidades: No campo da fotografia, mais uma vez com Eugênio Sávio, criamos a identidade visual e a sinalização do principal evento do Brasil nessa área, o “14ª Edição do Festival de Fotografia de Tiradentes“. Com a curadoria de Amanda Bonam, Marcelo Campos e Bitu Cassundé, e com a parceria de longa data com Valdy Lopes e Aline Arroyo, realizamos o design da  exposição de fotos colorizadas da artista Telma Saraiva do Cariri, no MAR – Museu de Arte do Rio. Nas artes visuais nosso design dialogou com grandes nomes da arte mundial e atuamos no Ano Brasil–França com as exposições de “Niki de Saint Phalle – Sonhos de Liberdade na Casa Fiat de Cultura“. A mostra contou com a parceria da Prefeitura de Nice e do MAMAC, e com a colaboração da Niki Charitable Art Foundation e do grupo 24 Ore Cultura, de Milão. Com curadoria de Olivier Bergesi e Hélène Guenin e produção internacional de Cláudia Marques de Abreu / Regiane Rykovsky e expografia da arquiteta Isabella Vecci. Já a exposição “Play – FITE – Bienal Têxtil de Clermont-Ferrand“, no Sesc Pinheiros (SP) também trabalhamos com Valdy e Aline sob a coordenação de Henrique Vizeu. Com curadoria coletiva e obras de mais de 40 artistas brasileiros e estrangeiros, a exposição convida o público a explorar as fronteiras entre tramas, tecidos, brinquedos e vestíveis.

DESIGN AUDIOVISUAL E TECNOLOGIAS PERMANENTES / EMERGENTES
Realizamos o AppWeb “50 que contam 50“, a convite do curador Roberto Moreira. Uma linha do tempo interativa percorre cinquenta anos da história do audiovisual experimental e da videoarte brasileira. Em paralelo, a partir do convite de Sávio Leite, com Ana Moravi, Sara Não Tem Nome e Joacélio Batista, produzimos o catálogo do “9º Timeline – Festival Internacional de Videoarte e Cinema Experimental“. E pra fechar o ano, celebramos os 50 anos da Fundação Torino produzindo uma instalação audiovisual para a exposição “Pausa para o Devir“, na Casa Fiat de Cultura. Com curadoria de Marconi Drummond, projeto expográfico de Ivie e Ísis Zapellini e design da equipe da Fundação Torino, a mostra reúne instalações de diferentes formas e materialidades criadas pela artista visual, educadora e contadora de histórias Stela Barbieri, que dialogam com produções coletivas da comunidade escolar.

Da videoarte e instalação audiovisual, fomos para o cinema, onde criamos identidades visuais para os filmes “O Silêncio de Eva” e “Marianas”, ambos dirigidos por Elza Cataldo da Persona Filmes. Na longa jornada com o Polo Audiovisual da Zona da Mata de MG atuamos na coordenação do LAB2.C - Laboratório de animação digital/stop motion com a Fábrica do Futuro e junto com Cesar Piva, também participamos da 2ª Semana de Arte de Cataguases. Em parceria com Angelo Pixel, Maria Eugênia Salcedo, Pablo Pires, Auá Mendes e equipe multidisciplinar, participamos da evolução a plataforma “Jandig” e do projeto “Mitologia Estendida“, que foram apresentados no “MozFest”, em Barcelona, unindo realidade aumenta e mista aos saberes ancestrais — projeto que, em 2026, será exibido em São Paulo. Este projeto também foi apresentado  para a comunidade acadêmica da Escola de Design da UEMG em BH e para pesquisadores do Labmídia da ECA/USP.

Fechamos o ano unindo a escuta ativa e a vanguarda tecnológica — IA, sistemas interativos/imersivos, realidade aumentada e mista — junto com a valorização dos ofícios, dos fazeres manuais e das narrativas históricas, criando experiências inclusivas e conectadas com o passado, o presente e apontando para o futuro.

Que venha 2026 — e os nossos 30 anos!

Muitos agradecimentos para os clientes, fornecedores e para todos aqueles que estiveram com a gente ao longo do ano.
Em especial para a rede parceiros que participou diretamente dos diversos projetos da Voltz, sob a coordenação de Alessandra Soares e Cláudio Santos entre 2024 e 2025: André Travassos, Bruno Araújo, Café, Daniel Colares, Estevam Gomes, Gustavo Santos, Joshua Pavanello, Lucas Miranda, Lucas Junqueira, Marcelo Batista, Marcelo Braga, Marcello Wykrota, Miguel Soares, Maria Eduarda Lopes, Patrícia Reis, Rafael Maia e Victor Vinícius.


Categoria: #voltz30anos, Acessibilidade, Animação, Aplicativo, Arquitetura, Arquivo, Artesania, Audiovisual, Editorial, Educação, Evento, Experimental, Exposição, Fashion, Festival, Identidade Visual, Instalação, Memória, Moda, Museus, Palestra, Planejamento Estratégico, Povos Originários, Presença Digital, Realidade Aumentada, Realidade Mista, Sinalização, Video, Voltz, Website em 28/12/2025    


 

Jandig no MozFest – Barcelona

Angelo Pixel fundador da Jandig, esteve na última edição do MozFest, Barcelona, apresentando para pessoas do mundo todo o visualizador de realidade mista que estamos desenvolvendo. Quando colocava o headset, o espectador entrava em contato com seres do nosso folclore, fauna e flora, através de animações 2D e 3D. Segue um vídeo produzido por Bruna Quevedo e confira como foi a nossa passagem pelo evento e as reações do público. O projeto Mitologia Estendida é feito à várias mãos:

Direção Geral: Angelo Pixel
Direção Artística: Cláudio Rodrigues
Direção Pedagógica: María Eugenia Salcedo Repolês
Direção de Tecnologia: Pablo Silva
Concepção: Angelo Pixel, Cláudio Rodrigues e Demétrio Portugal
Ilustrações: Auá Mendes
Animação 2D: Enzo Giaquinto e Ulisses Tavares
Modelagem e Animação 3D: Gabriel Camelo
Fotografia e Videografia: Bruna Quevedo
Design de Som: Lucas Miranda (Oscilloid)
Design Gráfico: Auá Mendes e Cláudio Rodrigues
Produção Gráfica: Cláudio Rodrigues
Gerente de Produto: Angelo Pixel
UX Design: Raquel Mei
Programação: Luna Aster, Pablo Silva, Rodrigo Oliveira e Thiago Hersan
Consultoria: Auá Mendes e Demétrio Portugal
Agradecimentos: Almir Almas, Adriana Pedrosa, Max Duarte e Clarice.ai

Acesse o site do projeto: https://jandig.app/ME


Categoria: Animação, Aplicativo, Audiovisual, Editorial, Educação, Evento, Exposição, Festival, Povos Originários, Realidade Aumentada, Realidade Mista em 01/12/2025    


 

Café Sarikab – Povo Paiter Suruí – Rondônia

CAFÉ ESPECIAL DO POVO PAITER SURUÍ  |100% ROBUSTA AMAZÔNICO

Fomos convidados pelo pessoal da SOULUP Consultoria, de Uberlândia – MG,  para colaborar na construção de uma Identidade Visual para um café produzido por uma família da etnia Paiter Suruí. Os Paiter Suruí residem na Terra Indígena Sete de Setembro, um território de 248.146ha, localizado em áreas dos Estados de Rondônia e Mato Grosso, na Amazônia Legal brasileira. O contato deste povo com os brancos ocorreu a partir dos anos 1960, no contexto da expansão da fronteira agrícola do país e da nova geopolítica para a Amazônia, estabelecida pelos governos militares que tomaram o poder em 1964. Desterritorializados, o povo recuou cada vez mais na floresta e só foram contactados pela FUNAI no dia 7 de setembro de 1969, sob comando do sertanista Francisco Meireles.

O processo de trabalho partiu de visitas presenciais da equipe da SOUL UP. Na sequência realizamos encontros virtuais com os irmãos Celesty Suruí, Roni Suruí e Ubiritan Suruí. Natural da aldeia Lapetanha, próxima ao município de Cacoal (RO), viram sua comunidade crescer em torno da plantação do café. Nos seus 22 anos Celesty recebeu o convite para fazer um curso de barista, o que a fez ser considerada a primeira mulher barista indígena do Brasil.

A partir das conversas definimos juntos que eles produziriam a tinta de jenipapo e fariam suas pinturas corporais para que pudéssemos ter elementos gráficos que fizessem parte da ancestralidade deles. Eles registraram o processo e nos enviaram fotos e vídeos, o que permitiu conhecer mais a cultura gráfica deste povo.

A partir de outro encontro presencial em Rondônia, a equipe da Soul UP aplicou suas metodologias e estratégias para desenvolvimento de Pessoas, Produtos e Negócios. Chegaram num repertório de conceitos e de imagens fundamentais para darmos prosseguimento no desenvolvimento da Identidade Visual e Embalagem. Eles já possuem uma marca Paiter Suruí bem posicionada e já reconhecida mundialmente. Desenhamos e vetorizamos os elementos gráficos sugeridos e criamos partindo de 3 princípios fundamentais para eles: O território, a ancestralidade e a experiência no manejo do café.

Tomamos partido desse universo visual e conceitual apresentado e tivemos a surpresa de apresentarem uma ilustração de mais um membro familia, o primo Matã Gameb Suruí. A beleza, a força e os detalhes do desenho nos apontaram que este elemento visual seria o ponto de atenção para que a embalagem se destacasse em função de sua originalidade e diferencial. Incorporamos também os grafismos e toda simbologia apresentados e para cada tipo de café definimos uma cor.

ANCESTRALIDADE: Antes do contato com os brancos eram em torno de 5 mil indígenas. Alguns anos após, o povo Suruí ficou restrito a 300 pessoas. Hoje são cerca de 1700 sobreviventes das pandemias trazidas pelo contato com a sociedade brasileira. Desde a criação do universo, Palob, o pai deles, os fez filhos da floresta. A espiritualidade deles está ligada à natureza mantendo o respeito a toda biodiversidade. Isso é o que os torna Paiter “Gente de verdade, nós mesmos”.

O café está presente entre os Suruí desde 1969, oriundo de um processo colonizador mais recente que provocou a derrubada da floresta e feitura de grandes roçados para seu plantio. Onde hoje é a comunidade deles, antes era uma vila de seringueiros. Eles estavam dentro do território Suruí e por isso foram expulsos, deixando para trás suas casas e seus cafezais. O pai deles, Agamenon Gamasakaka Suruí, foi um dos primeiros indígenas a trabalhar no cafezal no final da década de 80. Hoje seguem o exemplo de produzir no próprio território, visando primeiro a conservação da floresta e com isso, o comércio justo e sustentável.


Categoria: Gastronomia, Identidade Visual, Povos Originários, Voltz em 21/05/2024