30 anos de Design, Música e Convergência: os Primórdios Híbridos da Voltz
A Voltz iniciou suas atividades oficialmente no dia 15 de fevereiro de 1996, através da associação entre Alessandra Maria Soares e Cláudio Santos Rodrigues. Começaram a aplicar e a atuar como designers, mesmo tendo sua formação original em Comunicação Social na PUC-MG, em 1993. Retornando para o ano de 1991, é importante citar o aprendizado do ofício através das primeiras experiências profissionais de Cláudio na Grafiiti Comunicação e de Alessandra na Métrica Comunicação – empresas que ocupavam o mesmo espaço físico e que vieram a ser um dos primeiros escritórios de editoração eletrônica de Belo Horizonte. Antes de formalizarem a Voltz tiveram experiências individuais em outras empresas que começavam. Alessandra vai trabalhar na Paragraph, uma empresa de editoração eletrônica de livros e Cláudio vai para a Ciclope Vídeo e Multimídia, a partir da indicação do amigo de faculdade Eduardo de Jesus. Lá realizam CD-roms, quiosques interativos, websites nos primórdios da internet. Lá tem acesso as primeiras ilhas de edição de vídeo não linear. Nas noites e horas de folga produziam videoclipes e videoarte que circulavam através dos primeiros festivais e mostras de vídeo, com o apoio das produtoras M&B e Versão Brasileira. Com isso realizam um vídeo clipe para a banda Virna Lisi, que mesclava animação com cenas ao vivo e chegam a participar como finalistas do 1º Video Music Awards produzido pela MTV Brasil.
Assista o vídeoclipe >> “Eu quero essa mulher assim mesmo” – Virna Lisi
Assista o vídeoclie >> “Hiena Ria”- Virna Lisi
Assista o VT >> “Monsters of Rock”- Virna Lisi
A partir desse breve relato, pode-se dizer que a Voltz inicia sua trajetória de forma híbrida e já conectada diretamente ao mundo da música, do audiovisual e da multimídia. Junto a isso, vivenciavam e produziam material gráfico para as bandas independentes que se apresentavam em shows de rock no Bairro Santa Tereza e em outros pontos isolados da cidade. Gustavo Santos, irmão de Cláudio que também trabalhou nos anos iniciais da Voltz, era o ponto de conexão entre o universo da música e do design. Trilhando para um breve relato da cena musical independente da década de 90, a Voltz produziu diversas capas de “demo-tapes” (fitas cassetes personalizadas), misturando editoração eletrônica com xerox, colagem e nanquim, a fim de dar visibilidade para um setor que foi um dos primeiros a se projetar dentro da cadeia produtiva da economia criativa de Minas Gerais.
Assista o vídeoclipe >> “Get Squared” – Square Balls
Essas experiências independentes acabaram se tornando os primeiros empreendimentos que deram visibilidade à produção musical alternativa de BH. Primeiro surgiu a loja de CDs importados Urban Cave, para qual a Voltz teve a oportunidade de desenvolver uma identidade visual expandida que incluía jornal impresso, sinalização, material promocional e itens colecionáveis que se mantiveram como diretriz de design para a loja até seu fechamento em 2004. Foi lá que conhecemos Jeff Santos, que nos chamou para fazer o fanzine Motor.
Assista o vídeoclipe >> “Incendiary Joke” – No Hands
Assista o vídeo >> “Ao vivo – Cine Imaginário” – No Hands
Em 1998, Jeff Santos e Marcos Boffa fundam a Motor Music, um Armazém Musical, misto de produtora, gravadora e distribuidora que contava com um estoque de cerca de 1.500 títulos e detinha os direitos exclusivos para distribuição no Brasil dos catálogos de 15 selos internacionais. Fomos chamados para fazer a marca, sinalização da loja. Criamos as embalagens em saquinho de pão e a marmita que era pra presente. Fizemos também os adesivos, flyers e cartazes de festas, shows e eventos. O Armazém Musical não vendia só discos. Era também um conceito. Trazia junto a ideia de música como alimento. Discos que você não encontrava em qualquer lugar, numa época em que descobrir música ainda exigia procurar, perguntar, fuçar. Viraram uma distribuidora de bandas internacionais e agente fazia a versão brasileira das capas de CDs.
Depois de um primeiro ano com 11 atrações, a Motor já anunciava uma meta ambiciosa: 20 atrações em 1999. Realizou mais de 50 turnês no Brasil com artistas estrangeiros, além de produzir mais de 70 shows em Belo Horizonte e conceber 45 projetos e festivais. Enquanto muita gente ainda estava tentando entender o que estava acontecendo com a música dos anos 90, aquela pequena loja em BH já funcionava como ponto de encontro de uma cena que atravessava rock, punk, eletrônica, experimental, DJs e sabe-se lá mais o quê.
Leia uma matéria sobre a motor music no site phono.com.br >>
Em 1999 acabou se desdobrando no Eletronika – Festival de Novas Tendências Musicais. O Eletronika não era só um festival. Era o tipo de coisa que fazia BH parecer outra cidade. Eletrônica, pop, rock, experimental. Não tinha muita regra e passou a ser denominado como um Festival de Novas Tendências Musicais. Tinha de tudo — e funcionava. Marky, Otto, Anvil Fx, Anderson Noise e uma muita gente fazendo aquela cidade dançar. Para o 1º Eletronika criamos uma arte do cartaz e da vinheta sugeria movimento, conexão e estar antenado para as novidades de BH, do Brasil e do Mundo!
A cena musical independente certamente foi influenciada pelos inúmeros eventos realizados ao longo desses anos e pela forma de viabilização financeira dos mais diversos projetos através da arrecadação de ingressos, vendas de produtos e das leis de incentivo à cultura. o reconhecimento dos projetos desenvolvidos permitiu que a Voltz produzisse materiais gráficos para diversas bandas que começaram a se projetar. Com isso além de produzir várias capas de CDs, teve a oportunidade de produzir o design do DVD para os 10 anos do Pato Fu, um produto da MTV brasileira, a partir da gravação de um show realizado no Museu de Arte da Pampulha.
Ao longo destes anos, a Voltz contribuiu para a formação e promoção de talentos, a partir de diferentes relações profissionais. Diretamente foram dezenas de designers, estagiários e parceiros. Como uma empresa ligada fortemente ao setor cultural, a profissionalização de sua gestão se fez necessária, para acompanhar as mudanças constantes das leis de incentivo à cultura a cada governo que se iniciava.
Pode-se dizer que a sua estratégia de sobrevivência se dá pela multiplicidade de atuação, através da materialização de projetos via produtos gráficos, digitais, interativos e inovadores através de soluções criativas, que investigam novas linguagens, com custos acessíveis e alto impacto social. A Voltz desenvolve projetos para museus que conectam plataformas de presença digital na web, dispositivos móveis, ambientes multimídia e interativos, além de vídeos, animações, publicações editoriais, identidades visuais e produção cultural. Com isso permanece ativa nesse universo complexo, híbrido e transdisciplinar que é o design.
Categoria: #voltz30anos, Animação, Audiovisual, CD / DVD, Editorial, Experimental, Fotografia, Identidade Visual, Internet, Memória, Música, Sinalização, Video, Voltz em 14/10/2026








